Meus
olhos baixos estão presos às minhas pernas.
Presos
a um fato.
Presos
a um longínquo fato.
Meus
olhos baixos se prendem à lembrança.
Eu
era pouco mais que uma criança.
Estou
presa.
Irremediavelmente
presa à recordação.
Quanto
tempo! Quanto!
Os
pássaros é que me fizeram baixar os olhos e encontrar este tempo antigo.
Eles
revoam.
E
eu aqui.
A
voar pra tão distante.
No
tempo.
Fui
eu mesma que tudo aquilo vivi?
Fui
eu?
O
passado morreu.
Minhas
pernas são tão bonitas agora.
Que
dor eu sentia outrora.
Queria
andar e não podia.
Eu
chorava todo dia.
Aquele
entardecer ficou guardado.
Lacrado.
Existem
fatos que nunca vamos esquecer.
Eu
valorizo cada instante do meu viver.
Valorizo
minhas pernas, meus pés, valorizo a estrada que caminhei, que caminho.
Não
sou um ser sozinho.
Trago
comigo tantas lembranças.
Tantas...
tantas... tantas...
Naquele
tempo eu estive presa a um leito.
A
uma cadeira de rodas.
Agora
estou presa apenas a uma lembrança.
Ainda
bem que naquele tempo eu não perdi a esperança.
Posso
erguer os olhos agora.
Posso
agradecer e agradeço.
Sei,
meu Pai Eterno, eu agradeço.
sonia delsin

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